
Por trás dos Dinâmicos "Compósitos" de Josh Sperling
O artista americano Josh Sperling recentemente concluiu sua primeira exposição individual internacional, na Perrotin, Paris. A obra era colorida e caprichosa — uma introdução perfeita ao que Sperling faz. Uma parede da galeria sustentava uma instalação de 48 formas onduladas, cada uma pintada de uma cor diferente, penduradas juntas em uma composição bem equilibrada e divertida; as ondulações lembram algo entre macarrão de massinha de modelar e jatos de pasta de dente multicolorida. Nas outras paredes, pendiam novos compósitos — relevos construídos que Sperling faz a partir da combinação de telas e painéis moldados. Alguns de seus compósitos se assemelham a coisas reconhecíveis, como um cone de sorvete, um donut, um elástico de cabelo ou um rosto humano. Outros parecem uma mistura derramada de materiais de artesanato — algo encontrado no chão de uma pré-escola. A obra não tem a intenção, segundo Sperling, de conter referências figurativas; é puramente abstrata. Sperling intitulou a exposição Chasing Rainbows. Ele disse que escolheu o título porque parecia misterioso. Chamou-o de “intangível, mas também divertido.” Em geral, essa é a descrição perfeita de seu trabalho. É intangível: cada peça é algo, mas sua presença é difícil de apreender. E é inegavelmente divertida, pelo menos para olhar: é brilhante, leve, e parece não pedir mais do que a consideração mais básica que poderíamos dar a um raio de sol na rua, ou a um pedaço de chiclete colorido que vemos na calçada. Acima de tudo, é simples, da melhor maneira. A obra não possui outra intenção além de inspirar felicidade, e não tem outro conteúdo além da história que nós, os espectadores, escolhemos atribuir a ela.
A Beleza do Método
Quando vi o trabalho em Chasing Rainbows pela primeira vez, achei que parecia familiar. Não sabia dizer exatamente por quê. Havia algo nele que eu reconhecia. Meu instinto de crítico de arte foi interrogá-lo — vasculhar minhas memórias da história da arte em busca daquilo de que ele poderia ter derivado. Forcei algumas conexões rápidas. A primeira foi o Grupo Memphis, um movimento de design do meio da década de 1980, recentemente ressurgido em popularidade, que se baseava em formas geométricas e biomórficas fantasiosas pintadas em cores primárias brilhantes. Depois, pensei em Elizabeth Murray e suas construções fantásticas e envolventes, que saltam da parede com a empolgação das cenas de luta de histórias em quadrinhos. Então parei, lembrando como é injusto comparar o que uma pessoa faz com o que outras pessoas já fizeram. Olhei para essa obra novamente como se ela tivesse sido criada apenas pela mente de Sperling. A partir dessa perspectiva, vi o que ela realmente é — brincadeira.

Josh Sperling - Chasing Rainbows, vista da instalação na Perrotin Paris, França, 2018, foto cortesia Perrotin

Josh Sperling - Chasing Rainbows, vista da instalação na Perrotin Paris, França, 2018, foto cortesia Perrotin
A Arte do Googie
Uma das influências principais que Sperling cita é a “Arquitetura Googie” — um estilo futurista e intencionalmente caprichoso do meio do século XX usado para fazer com que restaurantes de fast food, vitrines comerciais e atrações à beira da estrada parecessem lugares empolgantes. Uma forma como essa influência parece evidente é que o trabalho que Sperling faz emprega as formas, linhas e combinações de cores reais que se podem ver em letreiros e edifícios Googie. No entanto, há outra forma em que seu trabalho é Googie, e essa é a sua intenção. Googie tinha um único propósito — atrair o olhar. Foi um desdobramento da economia americana do pós-guerra, em que todos tinham carro e podiam facilmente viajar mais adiante se não gostassem do que um estabelecimento oferecia. A arquitetura Googie atraía as pessoas. A experiência que elas tinham depois disso não era preocupação do arquiteto, do designer gráfico ou do construtor.

Josh Sperling - Chasing Rainbows, vista da instalação na Perrotin Paris, França, 2018, foto cortesia Perrotin
A cultura visual contemporânea está tão saturada de competição quanto a Rota 66. Os artistas sentem-se compelidos a lutar para atrair nossos olhos. Eles querem que paremos e vejamos o que estão oferecendo. Em seu esforço para chamar nossa atenção, Sperling treinou-se para ser parte designer gráfico, parte arquiteto, parte construtor, parte psicólogo e parte artista. Suas obras são como objetos cintilantes no horizonte que nos prometem felicidade se apenas pararmos e nos banharmos em seu brilho. Elas são destinadas apenas como arte? Ou também são publicidade para a marca Sperling? Em uma entrevista com o colega artista San Friedman na revista Juxtapose, Friedman perguntou a Sperling: “Onde você gostaria de ver sua vida em 10 anos?” Sperling respondeu: “Sustentando minha esposa e filhos com minha arte, com um estúdio enorme.” Ele descreveu esse estúdio como tendo “muita luz natural e muitos funcionários.” Com base nessa resposta, eu diria que sua prática é mais movida por negócios do que por arte. Nesse sentido, não é apenas inspirada pelo Googie: é uma expressão da mesma intenção exata.
Imagem em destaque: Josh Sperling - Chasing Rainbows, vista da instalação na Perrotin Paris, França, 2018, foto cortesia Perrotin
Por Phillip Barcio






