
Como os Membros do Painters Eleven Trouxeram a Arte Abstrata para o Canadá
Ativo entre 1953 e 1960, Painters Eleven (P11) foi um grupo de curta duração, mas extremamente influente, formado por onze artistas canadenses abstratos que desempenharam um papel de liderança no mundo da arte pós-guerra do Canadá. Enquanto a abstração conquistava grande parte do mundo — especialmente em movimentos como o Expressionismo Abstrato em Nova York, Art Informel na Europa, Gutai no Japão e Neo-Concreto no Brasil — o Canadá permanecia em grande parte afastado dessas inovações em cor, forma e design. A arte idealizada pelo establishment canadense era a representada pelo Grupo dos Sete (1920-1933), que promovia a pintura de paisagem como uma forma de arte distintamente canadense, dominando as galerias comerciais e as ideias institucionais de arte do Canadá no pós-guerra. Graham Coughtry, um pintor modernista canadense desse período, reclamava que “toda maldita árvore do país já foi pintada.” No entanto, muitos artistas canadenses começaram a explorar as técnicas e estilos abstratos que surgiam no exterior. Eles perceberam que a abstração oferecia oportunidades para artistas que buscavam transmitir emoção e individualidade, em vez de reimaginar as paisagens canadenses das gerações anteriores. O desafio que artistas como os do Painters Eleven enfrentavam era como fazer os canadenses apreciarem esse trabalho e abrirem suas mentes para novas possibilidades.
Um Grupo é Formado
Nas décadas de 1940 e 1950, muitos artistas tentaram introduzir a abstração no Canadá, com pouco sucesso. Um dos mais ousados, um grupo de artistas inspirado no Surrealismo chamado Les Automatistes, tentou derrubar os ideais tradicionais com seu manifesto, Refus Global. Em 1952, a artista de Toronto Alexandra Luke (1901-1967) organizou a Exposição Canadense de Arte Abstrata em várias cidades, que expôs muitos canadenses à abstração pela primeira vez. Na mesma época, o artista William Ronald (1926-1998), que havia visitado Nova York recentemente e sido exposto aos Expressionistas Abstratos americanos, tentou usar seus contatos comerciais em Toronto para impulsionar a abstração na cultura canadense. Por meio de seu trabalho como designer de vitrines para a loja de departamentos de luxo Simpson’s, ele criou em 1953 vitrines intituladas Abstracts at Home, combinando obras abstratas e móveis tradicionais para ilustrar como a abstração poderia trazer cor e vivacidade aos espaços cotidianos. Luke e Ronald acreditavam que tinham mais chances de serem aceitos como grupo do que individualmente, e formaram o Painters Eleven junto com outros artistas de Toronto que compartilhavam sua paixão pela abstração.
Pelo menos quatro membros do grupo haviam estudado com o renomado expatriado alemão e modernista Hans Hoffman. Além de Ronald e Luke, os outros membros originais eram Jack Bush (1909-1977); Kazuo Nakamura (1926-2002); Oscar Cahen (1916-1956); Thomas Hodgson (1924-2006); Jock Macdonald (1897-1960); Ray Mead (1921-1998); Howard Town (1924-1990); Walter Yarwood (1917-1996); e Hortense Gordon (1886-1961). Town foi quem criou o nome, possivelmente uma brincadeira com o nome do Grupo dos Sete. Diferentemente de outros grupos artísticos que compartilhavam um estilo ou técnica, a única característica unificadora do P11 era seu compromisso com a abstração como o próximo grande movimento artístico do Canadá. Com formações, influências, ideias e origens diferentes (Hodgson, por exemplo, foi canoísta olímpico duas vezes), os artistas trouxeram estilos distintos para a abstração. Gordon havia estudado mestres europeus e infundido realismo e natureza morta ao mundo da abstração. Ela incorporava formas geométricas em seu trabalho, mantendo frequentemente um cenário reconhecível, ainda que abstrato, de garrafas, frutas ou flores. Nakamura, por outro lado, era fascinado por ciência e matemática e explorava grades e números de Fibonacci em suas obras lineares e monocromáticas. De fato, as diferenças entre os artistas ajudaram a ilustrar a variedade e as possibilidades da abstração mesmo dentro de uma comunidade localizada.
Diferenças e Progresso
Não havia líderes nem estrutura no P11. Diferenças geracionais separavam os membros, e muitos debatiam o verdadeiro significado da abstração. Seus princípios fundadores diziam: “Agora há pouca harmonia na discordância perceptível, mas há profundo respeito pelas consequências de nossa completa liberdade.” Em busca da liberdade artística e de um interesse comum pela abstração, os artistas superaram suas diferenças e realizaram exposições regulares pelo Canadá. Seu maior avanço veio em 1956, quando Ronald conseguiu uma mostra para o grupo ao lado dos American Abstract Artists na Riverside Gallery, em Nova York. Lawrence Campbell, crítico renomado da Art News, escreveu sobre a exposição: “Acho que os americanos que viram as exposições hoje ficaram surpresos ao descobrir que o nível da pintura canadense era comparável à pintura americana, tão inventivo e, se possível, mais livre, mais criativo e menos autoconsciente em comparação com as obras dos membros dos American Abstract Artists.” Enquanto isso, no Canadá, embora a abstração ganhasse lentamente seguidores, a resistência continuava por parte do establishment cultural, especialmente do pintor de paisagens canadense Kenneth Forbes, que proclamou: “a pintura modernista é a maior farsa na história da arte humana.” Muitos canadenses simplesmente questionavam se o estilo abstrato do P11 não refletia demais os Estados Unidos e a Europa, numa época em que o Canadá buscava sua própria identidade cultural.
O celebrado crítico de arte americano Clement Greenberg encontrou-se com o grupo e os encorajou a enfatizar sua independência em relação ao Expressionismo Abstrato americano. “O que vocês têm que fazer é perceber que dentro de vocês têm as habilidades pessoais para dizer algo tão profundo quanto em qualquer lugar do mundo.” Sua orientação incentivou alguns, como Bush e Ronald, a seguir carreiras internacionais, enquanto outros abraçaram seus papéis como fundadores da nova cena de arte abstrata do Canadá. Por fim, no auge do sucesso em 1960, o Painters Eleven votou pelo encerramento. O grupo havia sido reduzido a nove membros — Cahen morreu tragicamente em um acidente de carro em 1956 e Ronald havia partido para buscar outras oportunidades. Os membros restantes sentiram que haviam cumprido sua missão de trazer a abstração para o Canadá e torná-la um campo reconhecido e respeitado. Para manter seu legado vivo e promover o estudo da abstração, Luke doou grande parte de sua coleção para a formação da Galeria Robert McLaughlin (RMG). A RMG agora abriga mais de 1.000 obras do grupo, a maior coleção do P11 no Canadá, e um testemunho vivo da nova era de individualidade e liberdade na arte canadense que foi inaugurada por esse grupo influente.
Imagem em destaque: Walter Yarwood - Cedros. Foto por Shaun Merritt
Por Emelia Lehmann






